Após a catástrofe ocorrida com as chuvas do começo do ano em Niterói, Rio de Janeiro, a comunidade foi apelidada de “Morro do Bumba do ABC”, devido ao risco iminente de deslizamentos a cada chuva que cai no local. O medo dos moradores é constante. Não só pelas torrentes de água, mas também pelas explosões. Não, o lugar não possui um campo minado.
A vegetação tratou de cobrir boa parte dos detritos, mas o gás metano resultante da decomposição tornou diário o risco de explosões. “O barraco que eu morava pegou fogo no último deslizamento, em janeiro. Perdemos tudo. As prefeituras sempre aparecem, prometem que vão fazer algo, e nada. É muita falta de respeito”, desabafa Edney Reis de Souza, 21 anos, morador há 8 anos do Joaninha.
Em cada chuva, deslizamentos, pânico, e surpresas indesejáveis. “Sempre aparece aranha e cobra nas casas. Um dia acordei com uma coral no meu braço”, relata. Assim os moradores vão seguindo, sem saber até quando terão onde viver.

Desculpas & promessas
A assessoria de imprensa de São Bernardo afirma que está tomando medidas para sanar os problemas no lixão. Já estariam cadastradas 226 famílias, e oito foram retiradas para moradias alugadas com apoio financeiro do programa Renda Abrigo, do município - cerca de R$ 380.
Ainda segundo a Prefeitura, esse projeto está no momento sendo atualizado à pedido do Ministério Público e faz parte do Plano de Resíduos Sólidos, que está em fase de elaboração e deverá ser apresentado por volta de agosto.
A Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano do município afirma que já definiu uma série de intervenções no local e em mais duas áreas que deverão utilizar recursos do PAC Mananciais, oriundo do governo federal, na ordem de R$ 42 milhões. O projeto prevê obras de urbanização, instalação de redes de coleta de esgoto, drenagem e abastecimento de água, obras de estabilização geotécnica, remoção de áreas de risco e de proteção permanente, além da criação de habitações.
O órgão diademense ainda afirma que a primeira etapa da obra já foi licitada, mas ainda está em fase de revisão. Cerca de 2,4 mil famílias devem ser beneficiadas.
As duas prefeituras afirmam que estão preparando um plano de ações conjuntas junto ao Poder Judiciário. Mas ainda realizam um diagnóstico da área, com sondagens, a fim de verificar a situação química do solo para só então terem uma proposta definitiva de recuperação ambiental.
Ou seja:
Há pelo menos oito anos - ou dois mandatos em cada prefeitura - que os moradores pedem por soluções aos problemas, tentando dialogar com os secretários responsáveis ou prefeitos.
Esta matéria foi feita em maio de 2010, e até agora nenhuma medida foi tomada, por nenhum dos governos municipais citados.

